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ARTIGO: Articulação necessária

Quem sabe a nova Onip pode se incumbir dessa nobre missão com todo o possível suporte governamental

Diagnósticos, reclamações legítimas e verdadeiras poderiam ser acrescidas de planos, ações e resultados. Na indústria de óleo e gás brasileira há uma lacuna de entendimentos, articulações e caminhos que sejam razoáveis a todos os participantes.

Reguladores (de petróleo e gás, de Meio Ambiente, da Indústria), empresas de petróleo operadoras e investidoras, mercado financeiro, provedores de serviços, fabricantes, universidade, centros de pesquisa, estado, enfim, todos que constroem o sistema produtivo de petróleo no Brasil provavelmente gostariam de ter um Fórum objetivo para discutir e alinhar simplificações e ações duradouras.

Os muros não funcionam.

Podem demorar um pouco mais, um pouco menos, mas são sistematicamente derrubados.

Não há nada que impeça os menores custos totais serem vencedores, ao longo do tempo, sobre as proteções e barreiras diversas. Vide o exemplo da China, onde as fábricas estadunidenses já não resistem mais às pesquisas da região e sucumbem com a inovação criativa e por vezes “copiativa” ousada e desafiadora dos concorrentes.

Mas qual a solução para esta imensa diferença de organização mental e objetividade comparadas ao Brasil?

Há dois sistemas de gestão de países, pelo menos que se possa conceituar. Um autoritário, que define regras e todos seguem. Outro em que se debate e as ações são conduzidas para um ambiente ajustado, que seja melhor para o conjunto, no caso o país Brasil como um todo.

Articulação. Este é o termo. Esta seria a carência.

Os atores poderiam se reunir, com frequência constante, sentar-se frente a frente e discutir, com fatos e dados, com a ideia de que “tudo de zero é tão ruim quanto zero de tudo”.

Quem sabe a nova ONIP pode se incumbir dessa nobre missão com todo o possível suporte governamental.

Poderia ser uma articulação com o Produz Brasil: Firjan, FIESP etc. E tendo o Programa de Competitividade para fornecedores que o Governo Federal anunciou para o suporte necessário, sob a coordenação de MDIC e MME.

Nacionalismo não é muro, é solução viável e contínua para um sistema complexo que não se faz com um só ator dos citados, mas com todos acordando.

Tributos altos e emaranhados, que teriam de ser resolvidos definitivamente no país.

Tributar investimento é no mínimo insensato. Investimento com risco é insano.

Conteúdo local não é proteção contra importações, mas competitividade apoiada por Governo e “exportabilidade”. Além de articulação com empresas globais e países comercialmente coligados.

Licenciamento ambiental não pode ser alavanca direta de estudos de pesquisa científica, mas sim um cardápio de que “aqui pode, ali não pode”.

Pesquisa e desenvolvimento poderiam ser mais de conteúdo, menos de prédios com equipamentos nunca operados.

Mas afinal, o que é articular?

“late Middle English: from Latin articularis, from articulus ‘small connecting part’ “ (interpretação livre de internet)

Neste texto pretende-se que “articular” poderia ser entendido como  “conectar as partes”, fazer com que cada uma delas acione e seja acionada colaborativamente com as demais, para que o conjunto possa andar.

Governo, parece ser a sua vez de chamar com firmeza e altivez os atores para sua mesa de reuniões e abrir a casa para discussões. Uma convocação positiva, objetiva, trabalhando com fatos e dados, partindo de diagnósticos que já se tem e obtendo planos prioritariamente por consenso.

Boas articulações a todos nós.

*Armando Cavanha F. é professor da FGV/MBA

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