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Artigo: Ativos de exploração não são commodities

As avaliações de valor podem ser completamente diferentes de comprador a comprador, por Armando Cavanha

Para a indústria de petróleo mundial, parece não ser tradição o uso de pura licitação para vender os ativos de exploração. A maioria das grandes empresas de petróleo aparenta negociar tais vendas, pois se entende normal as trocas de posições comerciais, compensações de regionalidades, associações em alto risco.

Querer fazer para ativos de exploração, reservas/reservatórios, o mesmo método usado para adquirir copinho plástico para café seria tupiniquim, jabuticaba, confusão entre negócios e carência ética sistêmica.

Se não há confiança, demita-se, sumariamente.

Nada contra a transparência e a publicidade, pelo contrário, são necessárias e obrigatórias, dando total clareza, todos os passos com rastreabilidade, para as entidades reguladoras, Ministério Público, TCU, etc. No Brasil temos os dilemas de estatal, que não são governo, não são Estado, acabam nem sendo empresas normais de mercado.

Querer impor um modelo trocado, com exposição desnecessária de ambos os lados, quem mais perde é o vendedor. No caso brasileiro, por ser a Petrobras uma empresa estatal e deter em O&G os maiores e melhores ativos, uma parte quem perde é a própria Nação.

Os potenciais compradores, que poderiam pagar mais e de melhor forma pelo ativo se protegem, nem sempre participam. De alguma forma fazem opções de compras em outras regiões do planeta.

Mas qual a base conceitual desta afirmativa?

Há, teoricamente, quatro maneiras, ou melhores práticas de aquisições/vendas no mercado, de qualquer tipo de bem, serviço, tecnologia ou ativo:

RFQ (request for quotation), para temas em que há ilimitada quantidade de fornecedores, muita clareza do escopo, como no caso de materiais pré-fabricados, copos plásticos de café, agua, etc. Toma-se apenas o preço, única variável a ser comparada.

RFP (request for proposal), para casos de alguma restricao natural de fornecedores, quando já há alguma interferência de eficiência, rendimento, etc. Onde já seriam razoáveis receber alternativas técnicas e de preços do mercado. Toma-se preços e alternativas técnicas, supondo opções de mercado nem sempre conhecidas pelo comprador.

RFI (request for information), quando não se sabe bem quem produz, quem vende, quanto se produz, quais as alternativas técnicas, ou seja, há uma demanda mas se conhece muito pouco do mercado fornecedor e suas características. Depois de um RFI, normalmente se aplica um RFP para a conclusão da obtenção.

DA (direct award), que são as compras dirigidas a um fornecedor específico, ou por escolha de tecnologia, por marca, por estratégia empresarial, obviamente devendo tais motivações serem claras e evidentes, mas não há sentido nenhum em se licitar. Exagerando, seria como na escolha da esposa, no casamento, poucas hipóteses de comparação. Ou do Bairro a morar, do carro a dirigir, etc.

E os ativos de óleo e gás?

Os ativos de exploração são os mais sensíveis, os mais probabilísticos, os de maior risco e incertezas no tempo. Portanto, as avaliações de valor podem ser completamente diferentes de comprador a comprador. Alguns rejeitam o ativo, alguns amam. Ou porque tem geólogos que conhecem o tema, a formação, a geologia, as correspondências, correlações, tiveram experiências aqui e ali, etc. Ou porque nunca ouviram falar na rocha em que se encontraria o hidrocarboneto aprisionado, apesar de especialistas em geologias de outros cantos.

Ativos de exploração, com tamanho risco, são motivos de aposta, incertezas volumétricas imensas.

Não seriam, de nenhuma maneira, motivos de licitação pura.

Os ativos de produção já seriam menos probabilísticos, já se encontram mais a frente na linha de tempo, em fase de riqueza comprovada, possivelmente já gerando caixa. Assim, possuem uma outra dinâmica de compra e venda, já poderiam ser comparados com maior determinismo, quem sabe algo mais próximo de RFP, aceitando propostas diferenciais e contornos distintos em cada proposição.

Ativos mais avançados na linha de tempo, escoamento, dutos, navios, midstream, downstream, são cada vez mais visíveis no fluxo de caixa, mais certeiros, mais aproximados de licitações com alternativas de propostas. Cada vez mais próximos de RFP, provavelmente. Mas não deveriam ser comprados ou vendidos como copinhos de plástico para café.

Mais detalhes sobre o assunto podem ser vistos no item 9 do video https://www.youtube.com/watch?v=Q75g7xEeWCM

 

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