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Inovação na construção de poços no pós-sal

Gerentes da Petrobras detalham solução tecnológica que reduziu 50% do custo da atividade

Diversos campos maduros do pós-sal, responsáveis pelo crescimento rápido da produção a partir dos anos 1990 e pelo atingimento da autossuficiência brasileira na produção de petróleo em 2006, continuam produtivos e apresentando oportunidades de desenvolvimentos complementares com o objetivo de maximizar o valor dos ativos em produção. A viabilidade econômica desses projetos complementares depende fortemente de investimentos e ações de otimização desses custos, entre eles o de construção de poços, que tem relevante participação no projeto.

A Petrobras tem buscado constantemente a aplicação de novas tecnologias que visam otimizar seus custos de investimento, propiciando maior economicidade aos projetos, inclusive em campos maduros offshore. O fator mais importante para reduzir o custo de execução de poço é a redução do tempo gasto na sua construção. Esse custo total é composto por diversas tarifas diárias, como taxa diária de sonda, custo de apoio logístico, diárias de barcos de apoio especializados, tarifas de transporte aéreo, custos dos serviços especializados de poços etc., além dos custos dos materiais de perfuração e completação.

TOT-3P: novo conceito de construção de poço no pós-sal

Nesse contexto, foi desenvolvido o TOT-3P – True One Trip 3 Phases – um novo conceito de construção de poço no pós-sal.

O primeiro poço (GLF-49H-ESS) nessa concepção foi concluído em 5 de julho de 2020, no campo de Golfinho, no litoral capixaba, a 100 km de Vitória, em lâmina d’ água de 1,395 mil m. Sua construção foi executada em 44 dias, ante os 96 inicialmente previstos, com custo aproximado de US$ 30 milhões — uma economia de 50% frente ao que custaria na configuração tradicional.

O TOT-3P (patente Petrobras, 2018) é uma evolução de outra patente Petrobras denominada TOT (True One Trip). Enquanto, no TOT, se instala toda a coluna de produção e contenção de areia em manobra única em poços perfurados em quatro fases, no TOT-3P a perfuração é executada em apenas três fases.

A redução de tempo e custo de construção tornou-se possível pelos estudos integrados multidisciplinares envolvendo as equipes de reservatórios, engenharia de poços, engenharia submarina e centro de pesquisas, dentre outros, utilizando-se a vasta base de dados e o profundo conhecimento da geologia dos campos maduros — sempre preservando os aspectos de segurança e meio ambiente.

Dentre os principais resultados da sinergia do trabalho integrado, podemos citar os estudos sobre o projeto de perfuração em zonas intermediárias e seu impacto no número de revestimentos, a eliminação de poço piloto associada ao uso de ferramentas e tecnologias que permitem identificar com mais precisão o topo do reservatório e uma adequada navegação no trecho horizontal durante a perfuração do reservatório produtor.

No conceito TOT-3P — em que a perfuração é feita em apenas três fases ao invés das quatro fases do conceito Slender ou das cinco fases de uma configuração tradicional –, é necessário que o projeto de perfuração contemple uma única fase intermediária, atingindo a maior profundidade possível sem penalizar a cimentação do revestimento e permitindo que a fase seguinte (terceira e última) atravesse o reservatório e alcance a profundidade final prevista. Para tal, é imprescindível que, na fase intermediária, não haja formações permoporosas por isolar, o que exige profundo conhecimento do campo e análises geológicas e de reservatórios bem detalhadas. Além disso, é desejável que a última fase, que inclui o reservatório, não apresente zonas de perda, heterogeneidades ou alta depleção que possam dificultar a operação ou exigir uma fase adicional.

Na completação, o conceito TOT-3P consiste em instalar toda a coluna de produção, incluindo a completação inferior com a contenção de areia, em manobra única (True One Trip), com a utilização de telas “conformáveis”, eliminando a necessidade de bombeio de propante.

Nesse primeiro uso do conceito TOT-3P no poço 7-GLF-49H, a perfuração foi concluída em 20 dias, sem anormalidades, e ainda contou com a primeira fase, condutor de 30”, realizada sem sonda, com o uso da base torpedo (técnica Petrobras onde o revestimento da primeira fase é lançado e cravado através de barco). A completação foi concluída em 24 dias.

O tempo total de 44 dias na construção desse poço aprova o uso do conceito TOT-3P, após a primeira aplicação exitosa, que já figura como alternativa de projeto de poço para vários campos maduros do portifólio da empresa com reservatórios do pós-sal. A viabilização desse conceito pode gerar economia entre US$ 20 milhões e 35 milhões de dólares por poço, garantindo resiliência adicional nos projetos de investimento, num ambiente de baixos preços do petróleo e maximizando a geração de valor dos ativos.

Gerente executivo de Construção de Poços Marítimos da Petrobras, Samuel Miranda é engenheiro civil e engenheiro de petróleo.

Gerente geral de Construção de Poços Marítimos em Águas Profundas, Poços da Petrobras, Gilson Priandi é engenheiro civil, engenheiro de petróleo e MBA-executivo.

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