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Wagner Victer: Os benefícios de ser um mentor

Por seu porte e cultura, a indústria do petróleo tem grande potencial para incentivar a orientação de novos profissionais

Aqueles que já passaram dos 50 anos certamente cresceram assistindo à saga “Guerra nas Estrelas”, do genial George Lucas, que continua ganhando aficionados nas diversas gerações seguintes, não só pela beleza de suas imagens, pela trama que se passa em diversas épocas, mas por transmitir importantes mensagens que podemos usar para outros dias além da ficção.

Uma delas é a apresentação da chamada “Filosofia Jedi”, aquela onde o “Cavaleiro Jedi” tem como missão ser o guardião da paz no universo, e, para ter sucessão no seu legado, adota e treina um aprendiz, denominado de “Padawan”, transferindo seus ensinamentos, perícia e conhecimento do domínio da “Força”. Da mesma forma, nas tradicionais séries policiais americanas, vemos frequentemente o policial mais antigo, chamado de “cascudo”, formando dueto com um Policial mais jovem, com o objetivo de passar experiências. O fundamental é que essas obras do cinema podem ser transplantadas para as grandes organizações empresariais, especialmente na indústria de óleo e gás, no chamado processo de “Mentoring”, de onde se deriva a expressão “Mentor”.

O processo de acolhimento e formação de novos profissionais, verificando suas potencialidades, transferindo experiências e, com isso, desenvolvendo talentos, é um trabalho extremamente gratificante para qualquer profissional pleno, em especial aquele que se encontra em sua fase mais sênior na carreira. É também uma postura profissional que deve ser perseguida não só individualmente, como diferencial pontual de uma carreira de sucesso, mas como um elemento a ser percebido, incentivado e, principalmente, reconhecido institucionalmente pelas organizações modernas.

No processo de acompanhamento das melhores práticas profissionais, temos observado que poucas organizações incentivam de forma sistematizada essas posturas. Aliás, o processo de passagem de conhecimento e de experiências também faz parte da cultura de países orientais como o Japão, pois ali se consolida não só a hierarquia funcional, como o fundamental respeito pelos profissionais mais antigos – elemento crítico das culturas organizacionais de instituições que buscam ser perenes.

Algumas universidades já possuem os chamados programas de “mentores” para alunos, quando orientados por estudantes mais antigos (veteranos) ou por profissionais que já estão consolidados no mercado de trabalho. Eu mesmo tenho participado desse processo com jovens que oriento em diversas universidades, como na engenharia da UFRJ, e posso afirmar que tem sido um processo bastante prazeroso, pois tem me permitido observar a evolução significativa e o diferencial de um jovem quando orientado.

A indústria do petróleo, por meio de suas organizações empresariais e institucionais, tem, por seu porte e cultura própria, grande potencial para incentivar essas atividades, porém poucas organizações o fazem. Algumas até incentivam tais práticas através de programas internos de estágios e trainees, mas focando somente no processo de entrada do jovem profissional na organização, deixando-o, muitas vezes, distante da cultura organizacional e da troca permanente e espontânea de experiências.

É bastante claro que os novos talentos nas organizações se desenvolverão de forma muito mais consolidada quando houver integração e quando esta for correspondida entre aquele que assume a orientação (mentor) e o orientado (mentorado). Da mesma forma, identificar profissionais que sejam referências positivas nas organizações e criar mecanismo para incentivar que essas venham a dispender parte do seu tempo para realizar tal atividade são ações eficazes das áreas de Recursos Humanos das organizações modernas e uma forma de reciclar os mais antigos – em especial a partir da nova e rápida dinâmica tecnológica que os jovens profissionais podem trazer. Por parte do jovem mentorado, quando participa de tal processo com a devida humildade, realmente querendo receber essa ajuda, tem uma evolução significativa.

A prática no dia a dia daquele que se dispõe a ser um Mentor é a mais diversa possível e vai desde apresentar o estudante ou o jovem profissional à estrutura organizacional até o envolvimento desse profissional – mesmo como ouvinte – em reuniões, negociações e até atividades de trabalho mais complexas, onde se espera que ele absorva experiência.

A indicação do mentorado para participação em seminários, cursos, palestras e até a forma de se portar e como vestir-se adequadamente para a cultura organizacional, certificações profissionais desejáveis, a participação em programas de voluntariado, são atividades que tradicionalmente cabem a um mentor. Além de formar um novo profissional, desenvolver talentos e contribuir para o crescimento da organização, pode-se até mesmo ganhar um novo amigo.

Wagner Granja Victer é engenheiro (UFRJ) da Petrobras, bacharel em Administração (UERJ), pós-graduado em Finanças (FGV) e em Gerência de Projetos pela Harvard University.

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